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Saúde & Bem Estar

Diversidade e inclusão no cuidado oncológico: um compromisso que precisa entrar nos planos de 2026

Título: Oncologia e Diversidade: Caminhos para Equidade no Cuidado

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#tag_h2# Quais desafios a diversidade impõe no tratamento oncológico?
A diversidade impõe desafios complexos no tratamento do câncer, pois fatores como cor da pele, gênero, orientação sexual e identidade de gênero podem agravar desigualdades, dificultando o acesso, a qualidade do atendimento e os resultados clínicos para grupos já vulneráveis.

O início de um novo ano costuma inspirar reflexões e a definição de metas para o futuro. No âmbito da oncologia, a busca por avanços inclui um compromisso cada vez mais urgente: garantir que a diversidade não seja mais um obstáculo para pessoas em tratamento oncológico. O câncer, por si só, já representa uma batalha difícil. No entanto, para parte significativa da população, a jornada é ainda mais árdua devido a barreiras relacionadas a raça, gênero, orientação sexual e outras dimensões identitárias.

O planejamento do futuro da oncologia, portanto, passa obrigatoriamente pela inclusão efetiva da diversidade em todas as etapas do cuidado. É necessário superar desigualdades estruturais que historicamente comprometem o acesso aos serviços, a continuidade do tratamento e os desfechos clínicos.

#tag_h2# Por que mulheres negras enfrentam maiores obstáculos no SUS?
Mulheres negras, mesmo conseguindo realizar exames e diagnósticos, frequentemente enfrentam demora no início do tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde, levando a consequências graves e, em muitos casos, a desfechos fatais, reflexo de desigualdades estruturais persistentes.

Dados e relatos apontam que mulheres negras são especialmente vulneráveis às falhas do sistema de saúde público brasileiro. Apesar de conseguirem acessar exames e diagnósticos, a principal barreira surge na etapa do tratamento: a espera por procedimentos como quimioterapia pode durar meses, alterando drasticamente as chances de recuperação.

Esse cenário é confirmado por profissionais e pacientes. Juliana Ayomide, especialista em comunicação inclusiva, destaca que a espera prolongada para iniciar o tratamento oncológico é uma realidade frequente para mulheres negras atendidas pelo SUS. Muitas vezes, o atraso é tão grande que, quando o tratamento finalmente começa, o câncer já avançou significativamente, diminuindo as perspectivas de cura.

A desigualdade se manifesta ainda na forma como essas mulheres são tratadas. Fatores como descrédito da dor feminina, preconceito racial e desconhecimento de direitos colaboram para um atendimento menos sensível e acolhedor. Mulheres negras, em sua maioria, não recebem informações adequadas sobre opções de tratamento ou sobre o direito de buscar uma segunda opinião médica, o que reforça a posição de vulnerabilidade diante da doença.

#tag_h2# Como o racismo estrutural impacta o cuidado oncológico?
O racismo estrutural influencia negativamente o cuidado oncológico ao atrasar diagnósticos, limitar o acesso a tratamentos avançados e comprometer a qualidade do atendimento para pessoas negras, resultando em taxas de mortalidade mais elevadas e sub-representação em pesquisas clínicas no Brasil.

O racismo institucionalizado não apenas dificulta o acesso a terapias de alta complexidade, como também contribui para a sub-representação de pessoas negras em pesquisas clínicas e a ocorrência de diagnósticos tardios. O cenário é agravado por práticas e protocolos que, muitas vezes, não consideram as particularidades sociais e culturais dos pacientes.

Relatos de profissionais confirmam que, para mulheres negras, o cuidado costuma ser menos atencioso. Além disso, barreiras simbólicas, como o ambiente hospitalar pouco inclusivo, podem desencorajar a busca por atendimento em centros de referência, mesmo quando o acesso é facilitado. Mutirões e iniciativas comunitárias têm mostrado eficácia ao criar ambientes de pertencimento, mas ainda são ações pontuais e insuficientes frente à dimensão do problema.

#tag_h2# Que barreiras a população LGBTQIAPN+ encontra na oncologia?
A população LGBTQIAPN+ enfrenta obstáculos como discriminação, falta de preparo dos profissionais, ausência de protocolos específicos e receio de sofrer preconceito, o que resulta em atrasos no diagnóstico, menor adesão ao tratamento e piores resultados clínicos em oncologia.

A população LGBTQIAPN+ também lida com desafios próprios no acesso ao cuidado oncológico. O medo de julgamento, discriminação e até violência faz com que muitos adiem exames e consultas, levando a diagnósticos tardios e a prognósticos menos favoráveis. Para pessoas trans e travestis, os obstáculos são ampliados pela ausência de ambientes acolhedores e pelo desrespeito ao nome social ou identidade de gênero.

Ricardo Souza Evangelista Sant’Ana, pesquisador e membro do Comitê de Diversidade da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, destaca que a formação dos profissionais de saúde ainda é predominantemente cisgênera e heteronormativa. Isso se traduz em um cuidado pouco personalizado, que não contempla as especificidades de gênero e sexualidade, prejudicando o acolhimento e a adesão ao tratamento.

Campanhas de prevenção e rastreamento, em geral, são direcionadas ao público cisgênero e heterossexual, o que afasta parte da população LGBTQIAPN+, dificultando o diagnóstico precoce. Além disso, a ausência de registros adequados sobre identidade de gênero e orientação sexual nos sistemas de saúde dificulta a formulação de políticas públicas efetivas e a avaliação precisa das necessidades desse grupo.

#tag_h2# Quais iniciativas buscam promover equidade e inclusão na oncologia?
Projetos como o Guia de Diversidade da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e programas de capacitação em competências culturais buscam transformar práticas institucionais, promover comunicação inclusiva e garantir atendimento mais justo e sensível para todos os pacientes oncológicos.

Para enfrentar essas desigualdades, entidades como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica lançaram guias e promovem capacitações voltadas à inclusão. O Guia de Diversidade, elaborado pelo comitê especializado da entidade, destaca a importância de comunicação inclusiva e do reconhecimento das trajetórias e identidades dos pacientes como elementos centrais para uma assistência de qualidade.

Programas como o OncoInclui, desenvolvido para capacitar profissionais de saúde em competências culturais, são exemplos de iniciativas que buscam reduzir disparidades. O objetivo é garantir que o câncer seja tratado como problema de todos, independentemente de raça, gênero, orientação sexual ou condição social, tornando a inclusão uma prática diária e não apenas um ideal distante.

Garantir equidade no cuidado oncológico é um desafio que exige mudanças profundas, desde a formação dos profissionais até a revisão de protocolos institucionais. A inclusão precisa deixar de ser um conceito abstrato para transformar-se em realidade concreta, assegurando que todos os pacientes tenham acesso digno e igualitário ao tratamento e à esperança de cura.

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